Aloha amigos,

Eu estou escrevendo de dentro do estúdio. Acabei de gravar a quinta música, que se chama “Vamos Comemorar”. Essa música é minha primeira parceria com o Pitt, irmão do Yves. Ele compôs várias canções que o Capital gravou, como “O Mundo” e “Algum Dia”, mas a quatro mãos, é a primeira… eu acho.

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As outras músicas que gravei se chamam “Ressurreição”, “Melhor”, “Depois da Meia Noite” e “Vivendo e Aprendendo”, e eu sou obrigado a confessar que esta um pouco mais complicado do que eu esperava. Eu estou sem cantar há três meses; meu recorde em doze anos. Então o que acontece é que eu fico meio rouco facilmente. Eu já cheguei a gravar umas três por dia, em um passado muito recente, mas hoje em dia, ainda em recuperação, anda meio difícil.

Já fui até em um otorrino e depois em uma fono. Eu tenho mania de doença, então basta eu ler a bula de um remédio que eu começo a sentir todos os sintomas ali descritos. Mas, mesmo determinado a encontrar algo na minha voz que estivesse errado, não achei. Não que não haja nada, mas é só falta de prática. É como se as cordas vocais atrofiassem com pouco uso… dizem eles. Se é que eu entendi direito.

Dito isso, vou falar do que me interressa: gravação. Essa foi uma gravação fora do comum desde o primeiro dia, afinal quando tudo começou, eu não estava junto com a banda. Eu estava na cama assistindo, via skype. Acho um saco continuar falando do meu acidente, mas não tenho como evitar, as consequências continuam presentes na minha vida até agora.

Como nesse momento, comigo sentado na sala de gravação enquanto resolvem algum problema lá na técnica. Eu preciso ficar mudo pra não gastar a voz, e todos sabem que eu falo pelos cotovelos. É difícil. E pra quem não sabe, técnica, é aquela sala onde fica o produtor atras de uma mesa cheia de botões. Eu escuto daqui alguém ouvindo Alice in Chains.

Mas então, continuando, (eu dou umas viajadas, eu sei) como minha gravação esta sendo afetada? Eu tô fazendo assim: pra não ficar rouco definitivamente, eu chego depois da fisio e agora faço fono assim que ponho os pés no estúdio, antes de algo dar errado. Na sequencia, os backing vocals. E logo depois começa a mixagem. Então estamos gravando as vozes e mixando em seguida, algo que nunca fizemos. Não sei como outros artistas fazem, mas pra nos é inédito.

Acho que porque eles não querem me estressar, já que estou, temporariamente, com a voz, digamos, mais frágil, não me deixam gravar mais de uma canção por dia. Um saco. Mas, como eu  já disse em outras cartas, eu aprendi muito sobre paciência. Então, pra não me deixarem tenso (pode?) ou nervoso, eles fazem isso comigo, o que além de sacanagem, é inútil, primeiro porque eu já sou ansioso por natureza e não há nada que ninguém possa fazer pra mudar isso, (acho que nem uma psiquiatra. Talvez um hipnotizador, não sei) mas voltando ao assunto, quem tá estressado são eles.

Vou colocar um tranquilizante na bebida deles. E tem mais, mesmo que ainda esteja longe de recuperado, eu quero e consigo cantar. É só todo mundo relaxar, mas uma só por dia é coisa pra enlouquecer qualquer músico. Que péssimo eu sou, tô sendo mal agradecido, na verdade, só deles procurarem me tranquilizar é bacana. {risos}

Aliás, isso tem sido recorrente, todos querem que eu fique bem, uma imensa preocupação com minha tranquilidade. OK, bacana, mas ja chega. Eu tô quase bom. Além do que, eu posso ficar mal acostumado com tanta puxação de saco.

Até que não seria mal eu tratado como prima dona. Tô brincado, acho artistas que se comportam como se estivessem acima do resto da humanidade o fim. Esse é um problema recorrente entre artistas: auto indulgência, tipo, “nossa, vocês não concordam que eu sou foda?”

Tá bom, mais uma viajada. Agora chega. A próxima música que eu vou pegar se chama “Quero ser como você”. Ela parece, em teoria, ser mais simples. Peraí, acabei de ser interrompido pelo David pra eu começar a gravar.

Lá vou eu,yeah! Será que existe profissão mais divertida? Não que eu saiba. Depois conto pra vocês como foi o resto.

Valeu,

Dinho.